Especial

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Lulu Santos

Em seu livro Noites Tropicais, o jornalista e produtor Nelson Motta conta que em 1975, durante a temporada carioca do musical Feiticeira, o guitarrista Hélio Delmiro precisou deixar a banda que acompanhava a atriz Marília Pêra em cena.

Foi quando um jovem cabeludo, que cuidava do som nos bastidores, praticamente implorou para tocar no lugar do músico. "Com grande talento e enorme alegria, ele participou de um belo e imenso fracasso", diz Motta. Naquela época, Lulu Santos já havia deixado de ser Luiz Maurício para adotar o apelido como marca registrada. Mas até que ele se tornasse o rei do pop nacional, com mais de 500 mil cópias vendidas do CD Lulu Santos Acústico, lançado em setembro, outros fracassos - e muito sucesso - seguiriam, entremeados por várias histórias engraçadas.

Sua estréia nos palcos aconteceu num longínquo 1974, ao lado dos amigos Ritchie e Lobão, no primeiro festival Hollywood Rock realizado no Rio de Janeiro. No divertido texto autobiográfico publicado em seu site, o compositor faz questão de avisar: "Se alguém souber de alguma cópia do filme feito no espetáculo, eu compro pra poder queimar". Até a gravação do primeiro disco, em 1982, ele desfez a banda Vimana, ouviu discos do Police e do Talking Heads, tocou com o ex-mutante Arnaldo Baptista, casou-se com Scarlet Moon de Chevalier e passou por um emprego burocrático como "vice-selecionador de repertório para trilha sonora de novela" na gravadora Som Livre.

Bastou lançar Tempos Modernos no começo da década de 80, porém, para que seu lugar estivesse garantido entre os grandes do cenário pop brasileiro. Prova de que Lulu Santos não envelhece é o sucesso que até hoje faz a faixa-título desse primeiro álbum. Ao lado de hits inesquecíveis - De Repente Califórnia, em parceria com Nelson Motta, Casa, Um Certo Alguém, Último Romântico e tantos outros -, a canção Tempos Modernos integra o repertório do CD Acústico e do espetáculo que o cantor apresenta no Directv entre os dias 17 e 26 de novembro. É show para cantar junto, bater palmas e reverenciar o rei do pop. Até as cinco músicas inéditas têm letra fácil de decorar.

É o caso da irônica Made in Brazil, em que Lulu presta homenagem ao rock e ao pop do Brasil citando bandas como Charlie Brown Jr., Raimundos, O Rappa e Barão Vermelho. Esqueceu-se, porém, de citar o "pai de todos": ele próprio.

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